sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Fim

O encerramento das festas da cidade terminou com o espectáculo Piromusical em Montejuic. Um espectáculo de fogo de artificio que durou 45 minutos. Estava repleto de gente a avenida da Fira de Barcelona, o salão internacional de exposições.
Fiquei desiludido com o que vi, não havia coordenação entre o som e os movimentos da fonte e depois o mesmo com o fogo de artificio. Um espectáculo patrocinado pela Radio Nacional da Catalunha e pela TV3 da Catalunha. Publicidade a mais e arte a menos. Estava há espera de melhor.
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O encerramento das festas da Mercé coincidiu com os meus últimos dias em Barcelona, na madrugada seguinte apanhei um voo para Portugal para passar o fim-de-semana. No domingo voltaria a Barcelona para mais 2 dias, os últimos, para prepara a minha ida para Madrid.
Na 2a feira fiz um pequena festa de despedida em casa com os meus amigos e na 3a preparei tudo para me ir embora.
No meu quarto ficou um português do Porto que nunca cheguei a conhecer. Foi para Barcelona precisamente fazer o mesmo que eu para Madrid, estudar edição de video.
4a de manhã peguei pela última vez na bicing, a 384ª vez que o fiz desde que me inscrevi, totalizando 81 horas de uso, correu mal que parti um pedal, por sorte já estava a chegar ao stand onde ia buscar o carro que aluguei para a viagem.
Carreguei o carro com a ajuda do Daniel, meu companheiro do apartamento, despedi-me e lá fui eu enfrentar os 650 kms.
Foi com alguma tristeza que deixei Barcelona, onde já tinha os meus amigos, já quase conhecia os cantos à cidade e estava bem instalado com pessoal porreiro, o que em Barcelona não é fácil.
Começar de novo quando já se quer alguma estabilidade não é fácil. Mas quem disse que a vida é fácil?
A história não acaba aqui apenas muda de capítulo, continua aqui.

terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Girona

De Quadaqués seguimos para Sul em direcção a Girona. Já não tínhamos muito tempo. Saímos por volta das 16h e tínhamos de contar com hora e meia para chegar a Barcelona e enfrentar o transito que todos os Domingos há tarde surge a entrada da cidade. O carro tinha de ser entregue até às 20h.Girona é uma cidade com cerca de 92 mil habitantes. Conhecido pelo aeroporto que serve quase exclusivamente a companhia Ryanair e pelo rio que atravessa a cidade fazendo lembrar Veneza.
Não tivemos muito tempo para explorar a cidade mas o que vimos da parte velha é magnifica e vale a pena lá ir e passar um dia.De regresso a Barcelona, enfrentámos algum trânsito mas o normal para um domingo de regresso a casa. Fi a primeira vez que conduzi nesta cidade e foi bastante divertido. O mar de semáforos e cruzamentos que atravessámos requer bastante atenção. Entregámos o carro mesmo em cima do tempo.

Cadaqués

No Domingo eu e mais 3 amigos alugámos um carro na Pepe Car que tinha reservado por internet no dia anterior. Como seria o meu último fim-de-semana em Barcelona queria ir a 2 sítios que nunca tinha ido, Cadaqués e Girona. Apanhámos o carro na Praça da Catalunha e seguimos em direcção a Norte num Ford Ka. Foi a opção mais barata, por 50€ tínhamos um carro para 4 com 500 kms pagos e seguro contra todos os riscos, era só alimentá-lo.
Cadaqués é uma das vilas mais características e mais bonitas da Costa Brava, situada a 175 kms de Barcelona. Uma povoação com pouco mais de 2700 habitantes, para lá chegar é preciso percorrer algumas curvas pelo relevo montanhoso. É a vila mais ocidental da Península Ibérica e vive praticamente do turismo e da pesca. A Casa Museu do Salvador Dali é o local mais visitado de Cadaqués, que não fomos por falta de tempo.

Fazia sol e calor, óptimo para passear e descontrair já que em Barcelona há quase uma semana que não se via o sol. A vila é muito sossegada e limpa. Pelas ruas estreitas do interior da povoação a porta de casa está aberta.
Aproveitámos para almoçar por lá, ao pé do mar, queríamos peixe. A sardinha estava pronta a sair mas foi uma desilusão. É difícil um português ser surpreendido com boa restauração catalã...Depois do passeio voltámos para sul, em direcção a Girona.

segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Fiestas de la Mercè

São as maiores festas de Barcelona. Desde 1902 que se celebra a honra de La Mercè, padroeira da cidade. Feriado a 24 de Setembro, até lá é uma semana de folia impressionante como se espera de uma organização com a cidade de Barcelona. Se até agora o turismo e a sua população enchiam as ruas todos os dias, na semana dos festejos a quantidade de gente que circula por toda a cidade é impressionante. Há concertos um pouco por todo lado mas a animação concentra-se mais no distrito da Cidade Velha. Há também palcos espalhados pelo Raval, Born e Grácia com concertos todos os dias alguns com nomes sonantes da música internacional. Tudo gratuito! Há ainda fogo de artifício e o Festival Internacional de Pirotecnia.
As principais ruas estão cortadas ao trânsito para a massa humana circular. O metro não fecha e anda quase sempre cheio.
No primeiro dia, na sexta, estive a ver um concerto da Neneh Cherry em frente ao MACBA (na foto a baixo) e nem a chuva que caiu me demoveu.
No Sábado tocavam os Primal Scream na fábrica de cerveja da Damm mas fiquei-me pelo centro com um grupo de amigos. Fomos depois até ao Parque Fórum, amplo espaço para albergar concertos e festivais na zona nova da cidade. Nesta noite acho que toda a gente foi para lá, havia um DJ famoso de música electrónica, mas não o suficiente famoso para eu o conhecer... além disso era gratuito. O metro passava de 4 em 4 minutos e durante cerca de 3 horas passava sempre lutado como se pode ver no vídeo e na foto.

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Foi o meu último fim-de-semana em Barcelona, que melhor para acabar que a maior festa da cidade se bem que podia estar a aproveitar melhor, ver mais espectáculos, participar em mais actividades mas pelo facto de estar de saída tenho andado ocupado com outras coisas.
Mas a festa ainda não acabou, dia 24 é a noite de encerramento e promete ser em grande.

terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Puigmal (2/2)

Eram umas 20h preparávamos-nos para dormir, o vento aumentava e incomodava com o frio que se fazia sentir dentro da tenda, com o constante barulho que fazia ao agitar a tenda e a própria tenda dobrava-se com sobre nós. Pensámos que com o tempo ia passar, mas piorou. Era impossível estar dentro da tenda e poder descansar. Achei que mais tempo assim assim esta acabaria por ceder e iríamos passar frio. Eram cerca das 22h e estava -1 grau quando achei que o melhor seria deslocarmo-nos uns metros mais para baixo para evitar o vento forte e constante.
De uma forma bastante rápido pegámos em tudo e desmontámos a tenda descendo a encosta em direcção ao Collado de Fontalba. Era noite de lua cheia, o que ajudou bastante na visibilidade. No tal parque de estacionamento avistámos um par de luzes ténuas, não identificando logo o que seriam. 2 autocaravanas aparcadas davam vontade de bater à porta e entrar para tomar um chã. Lá de dentro as crianças acenavam-nos, deveriam pensar que éramos loucos, à noite com aquele frio dois tipos de mochila e luzes na testa... pelo menos ficámos como a sensação que não estávamos ali sozinhos.Passámos o parque em direcção a umas rochas na tentativa de encontrar um sítio plano e abrigado do vento para montar de novo a tenda. Depois de alguma procura encontrámos um sítio um pouco mais abrigado junto a uma parede de pedra mas nem por isso plano. Não havia nada mais plano. A inclinação fazia-nos escorregar dentro do saco camo e dentro da tenda. No lado onde dormi tinha um alto em terra que não me permitia arranjar um posição confortável para dormir, para além da inclinação...A noite passou penosamente, se conseguir dormir devido à posição, ao vento e ao frio apenas deu para descansar um pouco. Às 7h30 da manhã estávamos a tomar o pequeno almoço e uma hora depois a passar ao lado do parque de estacionamento, já cheio de carros, rumo ao caminho que nos levaria ao cume do Puigmal. Àquela hora já se avistavam várias pessoas a caminhar, umas excessivamente bem equipadas outras penosamente mal preparadas para o que ia enfrentar.O tempo estava pior que o dia anterior, a nebulosidade era maior e não permita avistar o cume. Mesmo chegando lá cima a vista não ia ser mais que uns escassos metros. O vento aumentava a sua força à medida que se subia. Quando chegámos ao último planalto antes da subida para o pico, faltando uns 300 metros de desnível, 45 minutos de caminhada, a força do vento já fazia desequilibrar. A mochila com algum peso nas costas não ajudavam ao equilíbrio. Foi aí que encontrámos um senhor, aparentando uns 40 anos, bem equipado, que nos disse que não era possível ir muito mais além. "O vento é demasiado forte só rastejando. Já subi 9 vezes e nunca apanhei este vento." Desejou-nos sorte e decidimos ir ver o quão forte seria esse vento. Há nossa frente seguia outro grupo, até que umas dezenas de metros à frente no meio do nevoeiro o vento não permitia movermo-nos.Seria necessário o triplo do esforço e o dobro do tempo e um equilíbrio constante para poder avançar, à parte do frio e do nevoeiro que estava. Juntamente com o outro grupo decidimos voltar para trás e apanhar o caminho até Núria.
Enquanto descíamos outros tantos subiam. Eu, frustrado por não ter atingido o meu objectivo desejava que mais ninguém o conseguisse. Cada vez que olhava para trás o tempo parecia melhorar... Talvez fosse só impressão. Não havia tempo nem força para tentar de novo até porque tínhamos de caminhar até ao Vale de Núria para regressar a casa, faltavam ainda 6 kms.
Duas horas e meia depois chegávamos a Núria, cansados e sem dormir preparámos o almoço e apanhámos a cremalheira até à estação de comboio de Ribes de Freser que nos trouxe de volta a casa.
Fiquei aborrecido por não ter subido ao Puigmal, já por diversas vezes o tinha vislumbrado e agora tinha o objectivo de subir não foi possível. Provavelmente não voltarei lá para tentar mas há mais cumes por atingir.

Puigmal (1/2)

Puigmal é o pico mais alto dos Pirenéus Catalães, tem 2913 metros de altitude e faz fronteira com a Espanha e França. Era esse o lugar a atingir neste fim-de-semana.
Sai Sábado bem cedo com o meu companheiro de casa italiano para apanharmos o comboio, de novo até Ribes de Freser. 2 horas depois apanhámos a cremaleira até Queralbs situado a 1180 metros de altitude, iniciando aí o nosso percurso era cerca de meio-dia.
Seguindo sempre as marcas brancas e vermelhas da GR.11 que atravessa todo os Pirinéus, o objectivo era chegar o mais perto possível do Puigmal, atingindo-o pela parte sul, através do Collado de Fontalba a 2074m. Como tínhamos 2 dias não tínhamos pressa caso contrário podiamos atingir o cume por Nuria, bastando caminhar 2 horas. O caminho fez-se tranquilamente, apenas nos cruzamos com um grupo que vinha em sentido contrário. O tempo estava instável, uma vezes com nuvens outras com sol, mas já sabíamos com o que íamos contar e estávamos preparados.
9 kms depois e um desnível de cerca de 900 metros chegávamos ao Collado de Fontalba, eram cerca das 17h30, o frio já começava a fazer-se sentir e o vento acentuava ainda mais o frio. O Puigmal já se avistava mas faltavam mais 900 metros de desnível e faltavam também as forças. No Collado, uma área ampla e deserta avistámos algumas pessoas que caminhavam. Àquela hora pessoas a caminhar sem ser em autonomia, como nós seria estranho já que o Vale de Núria estava a 6 kms, 2 horas de caminho, até que ouvimos o ruído de uma porta a bater. Uns passos para o lado para avistar o que se passava um pouco mais abaixo e avistámos a escassos 50 metros de nós um parque de estacionamento. Fui uma pequena desilusão, pois pensávamos que estávamos a chegar a um sítio isolado só atingível após uma caminhada de algumas horas.Decidimos e após verificarmos que estávamos cansados e de a tarde estar a chegar ao fim, que ficaríamos o mais perto possível do cume para no outro dia de manha o podermos atingir e descer pelo lado lado norte até ao Vale de Nuria. Então subimos um pouco mais de procuramos um sítio plano para montar a tenda, estávamos então a cerca de 2400m de altitude a temperatura era de 5 graus, com o vento a fazer baixar até aos 0. Começa a chover gelo, que por estar sólido não molhava.
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Com a tenda montada o meu companheiro decide descansar antes de preparámos o jantar e eu decido subir o monte onde estávamos para ver a que distância estávamos do Puigmal. Não estávamos longe, a cerca de hora e meia. Quando desço o frio acentua e o vento aumenta. Preparamos o jantar para depois descansar.
Quando nos deitámos ainda havia luz solar, eram umas 19h30, estavam 0 graus dentro da tenda e o vento cada vez mais forte. Decidimos ir dormir para acordar cedo, mas o pior estava para vir...

sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Dia Nacional da Catalunha

A 11 de Setembro comemora-se a caída de Barcelona das tropas de Filipe V durante a Guerra da Sucessão Espanhola em 1714. Também conhecida como Diada este dia é celebrado por toda a comunidade. Os catalães colocam bandeiras nas janelas e por toda a cidade há pequenas cerimónias. Feriado desde 1980 eu estive um pouco à parte dos festejos pois estive a trabalhar.
O dia acabou num festival da natureza, com uma incrível trovoada e um calor e humidade de fazer pensar que estava numa sauna.

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terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Com os dias contados

A minha aventura nesta cidade tem os dias contados. A verdade é que já andava a preparar o meu destino desde Agosto e no início deste mês tomei a decisão final. Setembro é o meu último mês em Barcelona.
A decisão não foi fácil, pensar em deixar as amizades já criadas, deixar de andar todos os dias de bicicleta, as minhas idas aos Pirenéus, deixar um quarto e um andar que me agrada e que tenho a sorte de ser confortável nesta difícil cidade... trocar Barcelona por Madrid. A capital longe do mar, tantas vezes apregoada. Deixar Barcelona 9 meses depois de chegar, como tantos outros estudantes de Erasmus, não completando o meu objectivo de conhecer a cidade durante um ano. Mas o importante é o futuro. Madrid oferece mais possibilidades do que uma cidade fechada no seu conservadorismo linguístico.
Resta agora visitar o que mais tenho curiosidade de ver, preparar-me para me despedir, para mudar, para enfrentar nova vida em outra cidade, procurar emprego e estudar. Assim vão passando os dias até ao trigésimo dia do mês.
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